terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Saga Carnavalesca!

Texto do Marcus, revisado por mim!

Sexta feira, 01/02/2008, "sexta feira de carnaval", certo ? Claro ! para muitos, para mim foi diferente. Estava em casa, de folga do trabalho, quando recebo uma ligação. Clarisse me convidava para a maratona de cinema do Cine Odeon, coisas do nosso grupo de amigos. Pensei comigo: "O que pode haver de mal nisso ???". Não fazia a menor idéia do q estava por vir. Aceitei o convite estava pronto para virar a noite no escurinho!
Passei pela casa dela para irmos juntos e decidimos pegar um busão e depois o metrô, fugindo assim do auê carnavalesco do horário. O busão foi tranqüilo, os problemas começaram mesmo no metrô. Duas estações depois de embarcarmos, um amigo que já estava no centro liga: "Onde vcs estão? É que os ingressos aqui já acabaram. Pensei: "M... ! Saí de casa a toa.". Até aí, tudo bem... era só pegar o metrô de volta... descer na estação de Coelho Neto...
Cabe aqui um aparte:Para aqueles que não conhecem os arredores da estação de metrô em Coelho Neto, é a visão do fim do mundo!!! Logo na saída da estação existem vários pontos finais de ônibus. Um deles é o 390, que serviria para nós.Mas até chegar no ponto do ônibus passa-se por barraquinhas de ambulantes que comercializam desde água mineral (?!?!?) até carne. É, caro leitor, você não está lendo errado. Há um "açougue" a céu aberto no ponto final do ônibus com direito a vendedor portando "espanta moscas" e tudo! Mentalize: fumaça de ônibus, rua com grande circulação de pessoas, carros, carroças... prece um ótimo lugar para comprar carne , não acha ???
Já na fila do ônibus nos deparamos com uma variedade circence de pessoas.Vi desde crianças remelentas e descamisadas jogando bola, até idosos (?!), portando cartões de gratuidade (sério?!), tentando embarcar e sendo barrados com a delicadeza brutal do despachante. Esse universo incluia ambulantes dos mais diversos "naipes". Uma "tia" enorme, em todas as direções, com um short que deixava seu "cofre" à mostra enquanto ela, sentada, assistia a novela das 18h e para completar o cenário, um casal tentava controlar umas 7 crianças com o nariz escorrendo, várias bolsas de compras além de mochilas com roupas e brinquedos das crianças. Eis que a Cla comenta: "390 é sempre uma aventura!!!". Fui retirado bruscamente desse "conto de fadas" por uma nuvem de fumaça. O vento soprou a nuvem e pude perceber que, por trás dela, estava uma senhora magra, de aproximadamente 1,50 m que parecia uma chaminé. Sustentando um cigarro gigantesco ao lado da boca e jogando fumaça pelo outro canto. Respondi que sim e naquele momento mais um fato bizarro me chamou a atenção. Mais a frente na fila encontrava-se um senhor magro com uma aparência descuidada e cansada, uma grande sacola e um galho, que mais parecia uma árvore de arruda na orelha. Esse senhor me chamou a atenção por estar, aos berros, discutindo com um despachante. "Queru vê quem vai me barrá nesse ônibus !", gritava o homem enquanto o despachante retrucava: "Você não vai subir !". Eu não estava entendendo nada. O homem desistiu e ficou na porta resmungando: "Eu tenhú cartão. Queru vê ele me barrá...". E neste mantra ficou até que todos estavam embarcados. Não se fazendo de rogado, e pelo visto, não se sentindo vencido, entrou também. Da catraca, aos berros, continua: "Eu tô trabalhânu... tava trabalhânu e dormi, cansado. Passei do ponto e vim pará aqui. Se eu tivesse bebeno, tudo bem. Mas tava trabalhânu". já irritado(?!), o despachante o ameça e ele responde "Vem aqui me dá uma porrada !", tudo isso com uma super perigosa e afiada faca de frutas em punho. Nossas vidas corriam perigo. Mas sabe como é briga de ônibus, não é? O cara estava atrapalhando a partida, os passageiros, que sempre estão do lado que melhor lhe convém (eu tb!), começaram a se manifestar contra o maníaco da faquinha de frutas e o mesmo desceu. Pensei comigo: "Pronto. Agora é só aproveitar a viagem (?!?!) e chegar em casa", mas ela ainda nos reservava algumas surpresas. Alguns pontos após a partida do ônibus sobe um rodoviário pela porta de trás,(um "tiozinho" com cara de cobrador de ônibus, do alto de seus 50 anos aproximadamente, calvo e de bigode), seguido de um senhor bem idoso e doente. Pois bem, ostentando uma barriga criada a base de cerveja ele tratou de se acomodar da melhor forma possível próximo a porta. Sabe aqueles "tios" que se acham garotões e vêem todas as mulheres dando mole para ele??? Pois é... esse era o figura. Sentado galantemente na barra de apoio da porta do ônibus, cantava uma ruiva sentada à minha frente, ao passo que lançava olhares e sorrisos pra Cla, que desconfortávelmente tentava disfarçar... Eis que ele solta um grito:? "adoro essa loirinha, não consigo viver sem ela!" Me assustei! Primeiro pelo grito, e depois pq nem a Cla nem a mulher que ele estava cantando eram loiras, mas uma visão amarela me chamou a atenção...era um caminhão de cervejas! Tentei abstrair... Lembram do velhinho doente de que comentei? Tem mais coisas que valem a pena serem postadas sobre ele, afinal "desgraça pouca é bobagem!". Logo que entrou perfumou o ônibus com sua fragância Gambá nº 7!!! Putz... fedia muito. Tinha a aparência de um mendigo. Barba por fazer, cabelo grande e despenteado, além da falta de dentes na boca e um pedaço do indicador. Se agarrou no primeiro balaústre que viu e ali ficou profetizando em uma língua antiga que desconheço e que devido à sua boca banguela e péssima dicção ficava mais difícil ainda de entender. Fungava e balançava a cabeça num tique nervoso e frenético, além de brincar com o que imagino que fosse uma imessa bola de catarro que tinha em sua garganta(?!). Segurava em sua mão direita uma caixa de fósforos semi aberta que ficou vazia durante a viajem, pois a mulher que estava sentada abaixo dele desceu com os cabelos enfeitados com palitos de fósforo.Para finalizar, o motorista do 390 que, por motivo de pouco conhecimento e ser meio segundo mais lento que o Felipe Massa, não foi aprovado para piloto da Ferrari, achou que ainda estava na pista de provas fazendo o teste. Em uma manobra de extrema habilidade deu uma fechada em um Uno Mille que tentava ultrapassá-lo pela seletiva. Isso deixou a todos sem palavras, exceto o "Schumacher" que estava ao volante... mas isso é coisa normal na rotina dele... Fora do normal mesmo, foi essa minha sexta feira de carnaval.

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